Exercício físico no inverno exige disciplina e adaptação

Professor de Educação Física da Estácio explica como manter a rotina de exercícios em dias gelados e comenta os limites dos treinos em casa

Com as temperaturas mais baixas, a disposição para sair da cama ou encarar uma atividade física parece diminuir drasticamente. Mas, segundo o professor de Educação Física da Estácio, Rafael Braga, essa preguiça típica do inverno tem explicação científica. “Nosso cérebro funciona pela lei do menor esforço. Ele interpreta o frio como um risco e tenta preservar energia para manter a temperatura corporal. Por isso, o corpo ‘pede’ para ficar aquecido, parado”, explica.

Segundo ele, embora o instinto de autopreservação seja natural, vivemos hoje em um contexto diferente do passado. “Temos roupas adequadas, aquecedores e estruturas que nos protegem do frio. Por isso, precisamos reprogramar o cérebro e criar uma rotina que informe a ele que está tudo bem se movimentar”, afirma. A chave para isso? “Disciplina, regularidade e bons hábitos que transformam o exercício físico em algo automático, mesmo com o frio lá fora”.

Com vídeos no YouTube sugerindo séries com cabos de vassoura e outras adaptações caseiras, surge a dúvida: esses exercícios substituem os treinos da academia? A resposta, segundo o professor, depende do objetivo de cada pessoa.

“Se a meta é hipertrofia e ganho de massa muscular, a infraestrutura de casa geralmente não oferece a carga necessária para gerar o estímulo certo ao sistema musculoesquelético. Nesses casos, os aparelhos da academia fazem diferença”, explica. No entanto, outras capacidades físicas como resistência cardiorrespiratória, flexibilidade e agilidade podem ser desenvolvidas com sucesso dentro de casa.

“Na impossibilidade de frequentar uma academia, é melhor se exercitar em casa do que não fazer nada. Cada minuto conta. O importante é manter o corpo ativo, mesmo que o treino não atinja o nível de força esperado. Isso contribui muito para a saúde”, reforça Braga.

Outro ponto importante apontado pelo especialista é a distinção entre atividade física e exercício físico. “Atividade física é qualquer movimento que gera gasto calórico — como caminhar, lavar louça ou subir escadas. Já o exercício físico é estruturado, planejado, com objetivos definidos e precisa de periodicidade e acompanhamento”, esclarece.

Nesse contexto, o papel do profissional de Educação Física se torna essencial. “Para atividades cotidianas, o profissional é um incentivador. Mas quando falamos de exercício físico, com metas e cuidado técnico, ele é indispensável para evitar lesões e otimizar os resultados”.

Fonte: Pexels

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