Crédito das fotos: Raphael Bernardelli
Especialista explica por que dois colchões indicados para a mesma faixa de peso podem oferecer conforto e durabilidade completamente diferentes
Na hora de comprar um colchão, muitos consumidores observam apenas uma informação: o peso máximo indicado pelo fabricante. A lógica parece simples: se o produto suporta o peso da pessoa, a escolha está correta. Mas, na prática, essa é apenas uma parte da avaliação. Estrutura interna, densidade das espumas, sistema de molas e até a distribuição do peso corporal influenciam diretamente no conforto, na durabilidade e na qualidade do sono.
O mercado brasileiro de colchões segue em expansão. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Colchões (Abicol), o setor movimenta mais de R$ 13 bilhões por ano e continua registrando crescimento impulsionado pela maior preocupação dos consumidores com saúde, bem-estar e qualidade de vida. Com tantas opções disponíveis, no entanto, entender as diferenças técnicas entre os produtos tornou-se um desafio para quem busca fazer uma compra consciente.
Para Jarbas Carneiro de Freitas, diretor da Carneiro Colchões Artesanais, um dos equívocos mais comuns é acreditar que a indicação de peso, sozinha, determina se um colchão será adequado. “É comum vermos pessoas comparando dois colchões que informam suportar até 120 quilos e imaginando que eles oferecem exatamente o mesmo desempenho. Mas isso está longe da realidade. Essa informação é apenas uma referência. O que realmente determina o conforto e a vida útil do colchão é a qualidade da estrutura que existe por dentro dele.”
Segundo o especialista, fatores como a densidade das espumas utilizadas nas camadas de conforto, o tipo e a quantidade de molas, os reforços laterais e a forma como os materiais trabalham em conjunto fazem toda a diferença. Ele explica ainda que a indicação de peso presente na etiqueta costuma estar relacionada, principalmente, à capacidade de sustentação da estrutura de molas, e não necessariamente ao desempenho das espumas responsáveis pelo conforto. “Por isso, o consumidor não deve avaliar apenas o limite de peso informado. Também é importante verificar a densidade das espumas utilizadas no colchão e pesquisar se elas são adequadas para sua altura e seu peso. É essa combinação entre estrutura e materiais que garante conforto, suporte e maior durabilidade”, orienta Jarbas.
Outro ponto importante é que o peso informado normalmente considera uma distribuição adequada da carga sobre toda a superfície do colchão. “Na prática, ninguém dorme parado e com o peso distribuído de forma perfeitamente uniforme. Ombros, quadris e região lombar concentram maior pressão. Se a estrutura não for preparada para absorver essas cargas, o colchão tende a perder desempenho mais rapidamente.”
Jarbas explica que esse é um dos motivos pelos quais algumas pessoas relatam deformações precoces, mesmo utilizando um colchão compatível com seu peso. “Muitas vezes o problema não é excesso de peso, mas a combinação entre materiais de menor qualidade e uso diário. O colchão continua ‘suportando’ a pessoa, mas deixa de oferecer o alinhamento adequado da coluna e o conforto esperado.”
Outro aspecto frequentemente ignorado é que pessoas com o mesmo peso podem precisar de colchões completamente diferentes. “Altura, biotipo, posição de dormir e até a frequência de movimentos durante a noite interferem na escolha. Dois consumidores com 90 quilos, por exemplo, podem ter necessidades totalmente distintas.”
Para reduzir o risco de uma compra inadequada, o diretor recomenda que o consumidor vá além da etiqueta e procure entender a composição do produto. “Vale perguntar quais espumas são utilizadas, qual o sistema de molas, como funciona o reforço estrutural e qual é a proposta daquele colchão. Quanto mais informação o consumidor tiver, maior a chance de fazer um investimento que realmente traga conforto por muitos anos.”
Segundo Jarbas, o colchão deve ser encarado como um bem de uso contínuo, e não apenas como um produto de consumo. “Passamos cerca de um terço da vida dormindo. Escolher um colchão apenas pelo peso indicado ou pelo preço pode parecer suficiente no momento da compra, mas, no longo prazo, qualidade construtiva e conforto fazem muito mais diferença para a experiência e para a durabilidade do produto.”
