o que realmente influencia o resultado na xícara?
Especialista esclarece dúvidas frequentes sobre moagem, temperatura da água e tempo de infusão em métodos como a prensa francesa e a cafeteira percoladora
Cafeteira francesa (Divulgação/Tramontina)
O universo do café é cercado por hábitos e recomendações transmitidos de geração em geração. Mas será que tudo o que se diz sobre o preparo da bebida é verdade? Quando o assunto é extrair o melhor sabor dos grãos, entender alguns conceitos básicos faz toda a diferença.
Entre os métodos que não utilizam filtro de papel, a cafeteira francesa e a percoladora conquistam espaço por valorizarem diferentes características do café. Apesar dessa semelhança, cada uma exige cuidados específicos no preparo para extrair o melhor dos grãos, o que torna alguns comentários sobre a bebida ainda mais relevantes.
Confira alguns dos principais mitos e verdades relacionados ao preparo do grão elucidados por Emerson Nascimento, um dos principais especialistas em cafés especiais do Brasil e um dos 20 melhores baristas do mundo.
Qualquer moagem serve para qualquer método de preparo – MITO
A moagem tem impacto direto no resultado da bebida. Na cafeteira francesa, por exemplo, o ideal é utilizar uma moagem mais grossa, que favorece uma extração equilibrada e reduz o excesso de resíduos na xícara. Já na percoladora, também é recomendada uma moagem mais grossa ou média grossa, evitando que partículas muito finas passem pelo filtro metálico ou interfiram na circulação da água durante o preparo. Para Emerson, moagem média, média grossa ou grossa são as ideais, variando conforme o método utilizado.
A temperatura da água influencia no sabor do café – VERDADE
“A temperatura da água é uma variável de extração, ela é muito eficiente no processo de preparo do café. O que temos que entender é que quanto mais quente, maior a possibilidade de extração e quanto mais fria, menor a possibilidade de extração”, explica o barista. Portanto, a temperatura ideal depende do café que você tem em casa e também do método escolhido. Enquanto na cafeteira francesa a água costuma ser adicionada já na temperatura ideal para a infusão, na percoladora ela é aquecida durante o preparo e circula repetidamente pelo café, tornando esse controle igualmente importante para evitar sabores excessivamente amargos.
Quanto mais tempo o café fica em contato com a água, melhor será o sabor – MITO
O excesso de tempo de infusão pode levar à superextração, intensificando notas amargas e reduzindo o equilíbrio da bebida. Na cafeteira francesa, cerca de quatro minutos costumam ser suficientes para uma boa extração. Segundo Emerson, “o que temos que entender é que quanto mais grossa a moagem, mais tempo de infusão precisamos para ter um café saboroso e quanto mais indo para a média, menos tempo precisamos”. Na percoladora, também é importante evitar que o café permaneça em ciclos prolongados de extração, já que a recirculação contínua da água pode intensificar sabores amargos e mascarar as características naturais dos grãos.
Cafeteira Percoladora (Divulgação/Tramontina)
Cada método proporciona uma experiência diferente – VERDADE
A cafeteira francesa destaca o corpo e os óleos naturais do café, resultando em uma bebida mais encorpada. Já o modelo percoladora oferece uma extração característica, valorizando intensidade e aroma. Não existe um método melhor que o outro: a escolha depende do perfil de sabor desejado.
Preparar um bom café exige equipamentos complexos – MITO
Embora equipamentos de qualidade contribuam para a experiência, fatores como a escolha dos grãos, a moagem adequada, a proporção correta entre café e água e o respeito ao tempo de preparo costumam ter um impacto ainda maior no resultado final.
Para Emerson, a arte em fazer um excelente café está em entender cada detalhe da extração. Ao compreender o que é mito e o que é verdade, fica mais fácil aproveitar o potencial de cada método e transformar o preparo do café em um momento ainda mais prazeroso.
