Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que a incidência de câncer colo retal está aumentando na população. Neste ano, a expectativa é de que sejam registrados 28.110 novos casos de câncer de colo retal (colo e reto), sendo 13.310 homens e 14.800 mulheres.

Os elevados números levaram os médicos a realizar a 1ª Jornada Científica do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), que vai reunir especialistas paranaenses e de outros Estados no dia 5 de agosto na Associação Médica do Paraná (AMP).
No Estado do Paraná, este é o quarto tumor em incidência nos homens, sendo responsável por 1.030 casos somente em 2010, ou seja, a cada 100 mil homens, 19,07 terão câncer de colo retal (intestino grosso e reto). As estatísticas são ainda piores para as mulheres, sendo a terceira de maior incidência, perdendo apenas para os tumores de mama e de colo uterino. Para este ano, a previsão é de 1.030 novos casos, com uma média de 18,72 casos a cada 100 mil mulheres.
Os médicos alertam que uma dieta saudável e mudanças de hábitos podem ajudar a prevenir o câncer de colo retal, que, detectado precocemente, poderá ter grandes chances de cura. De acordo com oncologista do IOP, Luiz Antonio Negrão Dias, os medicamentos atualmente utilizados favorecem o avanço na taxa de sobrevida dos pacientes com esse tipo de tumor. Há dez anos, a taxa de sobrevida para casos avançados de câncer colo retal era de oito meses e agora existem pacientes que convivem com a doença por mais de três anos.
O médico salienta que existem fatores de risco relacionados à doença, especialmente predisposição genética e mudanças nos hábitos de vida nas grandes cidades. “Para se ter uma ideia, uma dieta baseada em gorduras animais, baixa ingestão de frutas, vegetais e cereais, assim como o consumo excessivo de álcool e tabagismo, são fatores de risco para o aparecimento da doença”, diz o especialista.
Para ele, manter hábitos saudáveis, dieta balanceada e a prática de uma atividade física regular estão associadas a um baixo risco de desenvolvimento do câncer de colo e reto.
Outra medida de prevenção que deverá ser tomada diz respeito ao consumo excessivo de corantes, que igualmente são fatores de risco porque liberam nitrosaminas no intestino, substâncias reconhecidamente carcinogênicas.
De acordo com a especialista Angelita Gama, professora da Faculdade de Medicina da USP e que virá para a Jornada Científica, as crianças estão cada vez mais expostas aos corantes. “Se prestarmos atenção, veremos que atualmente as crianças ingerem uma quantidade enorme de corantes, existentes nos doces, balas e pirulitos”, comenta.
De acordo com ela, o câncer de intestino é “traiçoeiro” por não apresentar sintomas na fase inicial da doença. “Qualquer alteração no ritmo intestinal, como constipação, anemia, sangue ou catarro nas fezes e emagrecimento são indícios de que a pessoa pode estar com a doença”. Neste caso, quando se manifesta, já está razoavelmente grande porque, na fase inicial, costuma ser assintomático.

Veja no quadro abaixo algumas orientações sobre a doença:

1 – As causas da doença podem estar relacionadas com a genética, idade ou aos hábitos de vida da pessoa.

2 – O câncer de intestino grosso é uma doença característica do idoso, sendo que a maior parte dos diagnósticos é feita a partir dos 70 anos. Mas pode aparecer em qualquer idade (5% ocorrem antes dos 40 anos);

3 – Dependendo da localização, os sintomas são diferentes. Se estiver do lado direito do intestino, os principais serão enfraquecimento, anemia e alteração na frequência da defecação.

4 – Se o tumor estiver localizado no lado esquerdo, haverá alteração do ritmo intestinal, com predominância de constipação intestinal, ou seja, a famosa prisão de ventre.

5 – Para o reto, o principal sintoma é o sangramento. Sangue e puxo, ou tenesmo, caracterizado pela vontade periódica de ir ao banheiro e insatisfação provocada pela sensação de evacuação completa são sinais de câncer ou doença inflamatória.

6) Grande parte dos tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso. Uma forma de prevenir o aparecimento da patologia é a detecção e a remoção dos pólipos antes de se tornarem malignos.

7) A colonoscopia é o exame mais utilizado para o diagnóstico de câncer de cólon. Caso seja encontrada uma lesão durante o procedimento realizado pelo médico, ele poderá realizar uma biópsia, que é a retirada de um pequeno fragmento do tecido.

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