A história humana conta casos de guerras provocadas pela intolerância contra raças, classes sociais, opções religiosas, políticas e sexuais, entre outras. Recentemente, manifestações preconceituosas contra homossexuais (homofobia), negros (racismo), estrangeiros (xenofobia), pessoas de religiões e classes diferentes têm ocorrido no mundo todo.
As agressões vão de xingamentos e ameaças a assassinatos cometidos por jovens que tentam justificar o injustificável.
Isso se estende para a escola, onde alguns alunos e até mesmo professores suportam violência verbal e física, agressividade, falta de respeito, hostilidade por parte de grupos de alunos, evidentemente não é a maioria.
Se realizássemos uma pesquisa na vida desses jovens hostis, certamente verificaríamos que eles apenas reproduzem e continuam, na rua, no pátio da es cola e na sala de aula, o tratamento que predomina em grupos sociais que convivem ou em sua casa, por desconhecerem limites, onde os pais são do tipo que apreciam um vale tudo.
Para algumas crianças é extremamente difícil constituir um vínculo de amizade por uma série de razões, tais como: medo pelo novo ambiente, ter sido abandonada, adotada, ter sofrido abuso, ter sido espancada, ser portadora de alguma dificuldade motora ou de aprendizagem, entre outras.
A história de vida de cada um faz com que “amigos” que desconhecem totalmente essas realidades reajam de forma discriminatória. Em decorrência dessas discriminações, cada criança se defende de diversas maneiras, por meio da agressividade física ou verbal, essa reação denomina-se extinto de preservação.
Certamente, quando isso ocorre, dentro da escola, a criança é encaminhada à sala da diretoria ou orientação, cuja finalidade é fazer com que a criança supere essas dificuldades por meio da ajuda psicológica e com portamental, ao mesmo tempo trabalha-se com a turma, realizando-se dinâmicas de conscientização e construção de valores.
Em algumas escolas, infelizmente, a criança é repreendida ou “ameaçada” utilizando-se para isso as sanções socioeducativas previstas no regimento escolar, imaginando-se que isso acarretará mudança de atitude.
Sabemos que a escola é o espaço onde se encontra a maior diversidade cultural e social, assim como, também é o local mais adequado para se formar um cidadão de valor.
Por isso, trabalhar as diferenças é um desafio para o professor, que precisa ser o detentor de um saber crítico que extrairá da diversidade o conhecimento necessário para desenvolver em seus alunos os valores imprescindíveis ao convívio social.
Embora saibamos que a escola e os professores reconhecem que os alunos são diferentes, que possuem uma cultura diversa e que sempre precisam ser acolhidos, é necessário que se repense a proposta política pedagógica e o currículo, as mesmas devem ser elaboradas a partir da realidade existente dentro de uma lógica de igualdade e de direitos sociais.
•Prof. Carlos W. Dorlass é consultor educacional em empresas e instituições de ensino e já dirigiu diversas organizações educacionais do Brasil.
Fonte: AW COMUNICAÇÃO
